o sagrado território do acreditar
ser aquela que se move sendo, ser aquela que vive o querer
Eu sempre acreditei nas pessoas. Muito mesmo. Mas para que essa crença, a de que temos um poder imenso que imagina, cria e move mundos inteiros pudesse ganhar voz e se expandir, precisei primeiro começar a acreditar em mim. A vida me mostrou que por mais que eu quisesse gritar aos quatro ventos “ei, pessoas, vocês tem um poder enorme, vejam o quanto são criativas, únicas e preciosas!”, eu precisaria antes me olhar no espelho e ver a mesma coisa.
Por muito, muito tempo mesmo, quando me olhava no espelho, via justamente o contrário. Via alguém que tratava o outro com amor e compaixão, mas que quando era para me dar a mão e ser meu próprio suporte, isso não acontecia. Sentia um arrependimento constante, carregava frustrações, culpas e vergonha. Me julgava e criticava. Olhava para minha história e não a valorizava, querendo sempre estar em um lugar diferente do qual estava.
Por anos esse jeito de existir no mundo me torturou. Ás vezes muito diretamente, às vezes de forma inconsciente. E como acontece com todas nós, assim eu acredito, em certos pontos do caminho somos convidadas a grandes travessias. Daquelas em que, quando olhamos para trás, parece que o que foi vivido aconteceu em uma outra encarnação. Mortes em vida, trocas de pele. Acesso maiores a si.
Aquelas formas de existir no mundo já não funcionavam mais e então, as deixamos.
Acreditar em si, na minha perspectiva, é primeiro uma permissão. Nos permitir caminhar confiando no poder de dar conta, independente de. Quando você confia, as dúvidas, medos e obstáculos do caminho não deixam de existir, mas podem ser gerenciados de uma forma que nos serve, expandindo e fortalecendo cada um de nossos passos.
E nem de longe estou dizendo que é fácil. Existem grandes desafios, principalmente quando lidamos com as nossas resistências, condicionamentos e padrões enraizados.
Mas também não é impossível. Existe um lugar de confiança dentro de nós onde o volume do conflito com a mente e as emoções tem seu volume reduzido. Um lugar onde passamos a sentir o caminho e onde as situações, pessoas e ambientes são mensageiras de compreensão.
Não acredito que haja uma receita e muito menos um mapa que marca a sua localização, mas nos permitir reconhecer a existência desse território sagrado de plena confiança em nós, é essencial.
Sinto que o acreditar em si, por mais piegas que possa parecer, é acreditar que já somos o que queremos ser. Nos dar a plena permissão que confiar que já o somos, pelo simples fato de que o querer nasce dentro. É nosso filho, e não algo externo.
Nós já somos o nosso querer!
Muito bonito Paty, mas e quanto a distância que vejo entre o que quero e a materialização física do meu querer?
Entre permitir-se ser e sustentar-se sendo existe um processo. Mais silencioso, menos inspirador e que pede o nosso compromisso. Primeiro nos damos a permissão, depois sustentamos o ser.
Esse é o ponto onde podemos compreender o acreditar em si em mais um nível, transcendendo o mundo invisível que é onde tudo começa, mas que não é tudo. Começamos no mundo invisível e aos poucos, incorporamos o acreditar em si na vida diária.
Na minha experiência, por exemplo, observava que ancorar a ideia de ser o meu querer esbarrava na minha dependência do externo. De uma circunstância favorável, de uma validação, de um curso, de um cenário que me trouxesse confirmação. Mas ao longo do tempo, percebi que escolher caminhar sendo o meu querer não poderia mais esperar esse algo de fora. Precisaria acontecer momento a momento, com a minha intenção e sustentação diária.
Acreditar em si, no fim do dia, une o permitir e o incorporar como uma postura de quem já vive o querer. Um exercício constante de alinhamento entre o que reconheço como verdade e a maneira como me movimento no mundo.
Eu ainda sinto medo, tenho dúvidas, escorrego e talvez isso não tenha fim. A diferença é que hoje busco me lembrar de voltar. Quando percebo que estou desacreditando, volto para mim com cada vez mais rapidez, menos violência e menos drama. E esse retorno constante vai construindo o chão que tanto quis ter para pisar.
Nos dar permissão de acreditar e agir na direção do querer é um grande ato de amor a nós mesmas.
Com fé na vida,
Patrícia Burger.
“Gostaria de ser lembrada como alguém que fez o melhor que pôde com o talento que tinha“.
J.K. Rowling.
PS: Se você sente que está em um momento de movimentar o seu querer, saiba que estou aqui e pronta para segurar na tua mão.







esse texto me lembrou do conceito que trabalho a partir do Modelo Barrett:
a gente não supera os medos; apenas a aprendemos a conviver com eles, sem deixar que interfiram nas nossas ações.
juro que depois que entendi isso deixei toda essa vergonha, culpa e os sentimentos de baixa autoestima de lado. é claro que vez ou outra aparecem, mas assim como você colocou, hoje consigo lembrar o caminho de volta pro meu eu real — aquele que aprendeu a não se deixar levar pelo medo.
Esse texto me lembrou como a gente é boa em acreditar nos outros e péssima em acreditar na gente mesma. Bonito demais esse lembrete de voltar pra si e sustentar o próprio querer.