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ser transformada pelo que não se conhece

Curiosa Convida Milena Pires

Bem-vinda à quarta edição da Curiosa Convida!

Uma série de seis entrevistas com mulheres que escrevem, criam e vivem com intenção e rebeldia. Conversas íntimas e vulneráveis sobre como cada uma escolhe caminhar pela vida sustentando suas dúvidas, desejos, medos e movimentos autênticos. A ideia é trazer perspectivas diversas que possam inspirar conexões, trocas e novos jeitos de olhar para nossas próprias jornadas.

As conversas estão publicadas na íntegra em vídeo no Substack, Youtube e Spotify. Escolha onde deseja acompanhar, pegue algo gostoso para bebericar e desfrute dessa prosa com gosto de troca entre amigas.

Nessa edição, recebo a querida Milena Pires, uma leonina de sol e aquário no ascendente, é dessas presenças que chegam com intensidade e doçura ao mesmo tempo. Aqui no Substack escreve na newsletter Escrevendo com o Cosmos. Milena é mulher, mãe de anjo, criativa e apaixonada pelos mistérios da vida. É mentora de visionárias, canalizadora da Cosmoanálise Maia, devota da medicina oracular, futurista e terapeuta holística formada em diversas técnicas, no Brasil e pelo mundo. Sua missão é apoiar, encorajar e impulsionar mulheres a viverem suas visões mais improváveis com confiança e leveza ao mesmo tempo! Criou a newsletter Escrevendo com o Cosmos onde decifra os códigos do Tzolkin em previsões que conectam com a Alma e trazem direcionamento espiritual pra rotina da mulher criativa e intuitiva.

Conheci a Mi quando entrei em contato com a sabedoria do Tzolkin e senti no coração de mergulhar. Participei de várias de suas lives e aulas, e anos depois tive o privilégio de ser sua aluna na Formação em Cosmoanálise Maia. Desde então, acompanho de pertinho tudo o que cria pois admiro muito a forma como traduz espiritualidade, criatividade e negócios autorais com uma visão muito própria e generosa. A Mi é daquelas pessoas que te fazem avançar com todo o amor e profissionalismo desse mundo.

Iniciamos com uma das perguntas que mais gosto pedindo que a Mi compartilhasse três coisas que gostaria que alguém que nunca tivesse ouvido falar dela soubesse. “Primeiro, que eu amo praia. Amo muito a abertura da natureza. Mesmo morando em São Paulo, preciso dessa conexão viva, tanto que minha casa virou uma floresta, tem planta para todo lado.”

Depois, compartilhou algo que descobriu recentemente: “Eu achava que era super expansiva, sempre pra fora. Mas percebi que sou muito introspectiva. Eu me alimento do meu mundo interno, às vezes sou capturada por um universo em pleno meio da conversa. E hoje aprendi a honrar isso, inclusive no meu casamento. O respeito pelos espaços de individualidade é o que sustenta a relação.”

E então contou o que move tanto o seu trabalho: “Sou apaixonada pelos mistérios da vida. É uma curiosidade que beira a obsessão. Gosto de sentir o quanto existe algo infinitamente maior do que eu. Isso me coloca num lugar de encantamento pela vida. Estudar o cosmos, os movimentos oraculares, me lembra dessa força misteriosa que rege tudo. Mesmo quando tira nossas certezas, ainda assim é fascinante.”

A curiosidade como bússola e motor

“Ela está em tudo. No meu trabalho, nas minhas relações, nos meus estudos. Acho que me tornei uma grande estudiosa dos assuntos mais aleatórios possíveis por conta da curiosidade. É ela que me move para abrir um livro que nunca imaginei ler, ou para mergulhar num tema completamente novo só porque brilhou pra mim.”

E brincou dizendo: “Se uma amiga me manda mensagem dizendo ‘preciso te contar uma coisa, mas só mais tarde’, meu dia trava. Eu sou nesse nível de curiosidade. É uma tortura.”

A curiosidade é como uma bússola. Ela sempre me direciona. Quando eu era mais jovem, seguia quase que 100% pelo que despertava minha curiosidade. Hoje, com mais maturidade, outros elementos entram nas decisões, mas ela continua sendo um guia.

Foi essa mesma bússola que a levou a viver um ano viajando pela Ásia com o marido. “Antes parecia impossível. Achava que precisava de muito dinheiro, não sabia nem por onde começar. Mas a curiosidade começou a cutucar e fomos ver se havia um jeito. E havia. Foram dois anos planejando, fazendo restrições, mas conseguimos. E digo: foi a melhor escolha da vida.”

E completou: “A curiosidade não só me direciona, ela me move. É ela que dá aquele faniquito, sabe? Aquela sensação de ‘quero ir pra lá’. E aí vem a coragem junto. Acho que curiosidade e coragem andam de mãos dadas.

Achei bonito quando ela disse: “Eu não tenho curiosidade só pela experiência, mas por quem eu vou me tornar depois dela. Sempre me pergunto: qual é a próxima versão da Milena que está vindo?”

Criar em todos os estados

Quando entramos no tema da criatividade, a Mi foi assertiva: “Sempre foi natural para mim criar. Mas percebi que, por muito tempo, eu só sabia criar a partir da alegria, do êxtase, da celebração. E a vida, claro, trouxe luto, burnout, momentos em que parecia tudo em preto e branco.”

Ela contou que precisou aprender a abrir outros caminhos criativos dentro de si: “Descobri que também é possível criar a partir da dor, de uma ferida aberta. E que essa criação tem tanta beleza quanto a que nasce da felicidade. Entender isso me trouxe uma paz imensa, porque eu me cobrava muito. Achava que só criava bem quando estava bem. Hoje sei que toda criação é válida — é o melhor que posso oferecer ao mundo naquele momento.”

E trouxe um ouro: “A gente vê a criação da natureza numa rosa que floresce, mas também num terremoto, numa tempestade. Tudo é criação. Cada forma tem sua razão de ser. Honrar isso mudou minha relação com o meu próprio processo.”

No cotidiano, a Mi cultiva práticas simples que a mantêm em contato com esse lugar de beleza. “A primeira coisa que faço ao acordar é arrumar a cama. Parece pequeno, mas me dá uma sensação de ordem, de começar o dia bem. Também cuido das minhas plantas, e isso é quase um diálogo com a vida. E busco referências fora do meu universo: moda, cerâmica, pintura. Gosto de ver como outros criadores se movem em campos diferentes do meu.” Tenho feito isso por aqui e assino embaixo que é algo realmente potente.

No fim da conversa, pedi que deixasse uma semente de coragem. Ela sorriu e disse:

Ser curiosa não é só querer saber. É se permitir ser transformada pelo que ainda não conhecemos.

Obrigada, Mi, por essa partilha generosa e por abrir caminhos para que possamos lembrar que a vida, em todas as suas formas, cores e intensidades, é criação em movimento.

Você encontra a Milena aqui no Substack na Newsletter Escrevendo com o Cosmos, no Instagram, em seus cursos, mentorias e vivências que conduz. Recomendo de olhos fechados e coração aberto.

Com presença,
Paty Burger.

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